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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

(Não) Precisamos de outro 6 a 1

“Não estou acreditando nisso! Seis. SEIS!” eu dizia ao meu amigo Tião enquanto a gente celebrava mais um gol na arquibancada da Arena do Jacaré em Sete Lagoas. Estava atrás daquele gol que o Roger balançou as redes logo no início da partida. Confesso que fui ao estádio com muito medo. Muito! Mas fui, ciente de que, acontecesse o que fosse, eu estaria lá, apoiando e amando aquele time azul. Nem no meu melhor sonho eu poderia imaginar aquela página heroica e imortal. Quase que valeu a pena todo o sofrimento ao longo daquele Campeonato Brasileiro de 2011. Quase, pois roguei para jamais passar por aquela situação de novo.


Oito anos depois, estamos nós aqui lutando para manter esse nosso orgulho de dizer “Sempre bebi, mas nunca caí”. Disse há algum tempo ao mesmo amigo Tião que precisaríamos de outro 6 a 1 para nos salvar esse ano. Mas 1 a 0 já seria uma goleada histórica. O clássico está chegando e, embora não seja na última e decisiva rodada como era em 2011, é quase tão importante quanto. Cruzeiro e Atlético estão em situação ligeiramente mais confortável que estavam naquele 4 de dezembro de 2011. Mas longe do que condiz com a história do futebol mineiro. Apesar de ter vencido bravamente com o brilho da garotada na última rodada, o time alvinegro vem em queda livre depois de chegar a brigar no topo da tabela e encher o torcedor de esperança. Com o Cruzeiro na contramão, era inimaginável para qualquer torcedor mineiro que os clubes chegariam a esse clássico do returno com apenas cinco pontos de diferença.

Uma vitória do Atlético domingo deixaria o time bem mais confortável e acredito que afastaria de vez o fantasma da zona sombria. Já para o Cruzeiro, uma vitória significaria colar no rival e trazê-lo de vez para a briga de baixo da tabela. Além disso, uma vitória no clássico dá fôlego para qualquer um dos times para essa tão importante e emocionante reta final. Bem como uma derrota pode mexer muito – de forma negativa – com os ânimos dos jogadores e do torcedor. O clube celeste vem de uma sequência de invencibilidade incrível, digna de topo de tabela: nove jogos sem perder. Olhando apenas para a pontuação do returno, o Cruzeiro estaria em 10º lugar, brigando até por uma vaga na Libertadores. Já o rival alvinegro estaria na desesperadora 16ª colocação, apenas um ponto acima do primeiro time no Z4.


Mesmo perdendo pontos importantes em casa em jogos que o torcedor esperava vitória como contra o Fortaleza e o Bahia, desde a chegada do técnico Abel, o Cruzeiro conquistou vitórias importantes e inesperadas como contra o São Paulo (em casa) e Corinthians e Botafogo (fora). Retomando a confiança de peças importantes do elenco como o meia TN10 e o zagueiro Dedé, e reestabelecendo um bom ambiente na Toca, desde a estreia com derrota para o Goiás, o Cruzeiro não perdeu mais sob o comando de Abel. Foram três vitórias e seis empates. Alguns empates podem ter tido sabor amargo – especialmente aquele contra o Fluminense -, mas cada pontinho desses seis pode fazer muita diferença no final. Assim como fizeram cada um daqueles seis gols contra o maior rival na última rodada de 2011. Dessa vez, não precisam ser seis. Apenas um basta, desde que não tome nenhum. Para isso, contamos com nosso monstro sagrado Fábio. Que o domingo seja azul em Belo Horizonte!

Por: Tarcísio Dias



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