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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

VQTTV Entrevista #12 com Pedro Henrique Marum

A 12ª edição do VQTTV Entrevista contunua com a  série de entrevistas com jornalistas que acompanham o dia-a-dia do automobilismo, e/ou pilotos. No mês de fevereiro, orgulhosamente "resenhamos" com Pedro Henrique Marum, do site Grande Prêmio (MAIOR SITE DE ESPORTE A MOTOR DA AMÉRICA LATINA).
VQTTV: Como você foi "apresentado" ao automobilismo? E o que te motiva/fascina a acompanhar o esporte a motor?
PHM: O que em primeiro lugar me fez acompanhar o esporte a motor foi meu pai, que adora corridas de todos os tipos. Ele acompanhava a F1 de muito perto, a Indy, via MotoGP nos tempos de Globo - quando eu era criança e pegava isso. Minha mãe lembra de como eu, ainda no Bebê Conforto, ficava parado na frente da TV mexendo a cabeça pra acompanhar os carros (claro que disso eu não me lembro). Mas faz parte da minha vida desde sempre, desde que eu tenho lembranças da vida.
PHM: O que me motiva? Eu sou antes de tudo um apaixonado por esportes, quase qualquer esporte. Eu não sou daqueles que diz que ama o barulho, o cheiro de gasolina e tal, até porque não fui criado dentro de autódromos. Até começar a trabalhar na área, só tinha assistido uma corrida 'in loco' uma única vez - a Indy, no Rio, em 2000. Eu gosto da competição. Gosto do risco, não do risco de morte ou acidentes, mas do risco de você arriscar uma ultrapassagem e ver todo o seu trabalho do fim de semana pelos ares com alguma coisa que dê errado. Arriscar numa pista de corrida é colocar tudo a perder, e isso me atrai. Além dos carros e motos, claro. 
VQTTV: Como surgiu o seu interesse pelo jornalismo, e como foi seu ingresso na área esportiva? Era planejado ou rota de carreira que mudou com o tempo?
PHM: Tenho jornalistas na minha família - meu pai trabalhou muitos anos na TV, até 2002, embora sempre tenha se identificado como radialista. E, com a exceção de um primo meu, o Diego do Carmo, todo mundo desencorajava a eu fazer isso. Mas, para ser sincero, ouvir a opinião dos outros sobre as escolhas da minha vida não é algo que eu faço - o que é um defeito, muitas vezes. Sempre me senti jornalista, desde adolescente, quando eu era certamente um fedelho metido e despreparado. 
PHM: Eu gostava muito de jogar futebol, hoje quase não jogo mais, apesar de não faltar vontade. Quando adolescente, cheguei pensar em jogar mesmo. Mas sempre me senti mais jornalista, sempre gostei mais da caneta. Depois de algumas (muitas) lesões, larguei o futebol. Nunca pensei de verdade em fazer outra coisa que não o jornalismo. Nunca tive um plano B, nem quando adolescente. 
PHM: Meu ingresso no esporte foi casual, porque eu queria ser jornalista para fazer jornalismo, em qualquer que fosse a área. Aí, assim que entrei na faculdade, o meu primo Diego, esse mesmo de quem falei há pouco, recebeu um e-mail de Valter França, grande amigo dele dos tempos de faculdade. O Valter estava fazendo assessoria de imprensa para a Confederação Brasileira de Judô e precisava de um estagiário. Surgiu meu nome. Fui entrevistado pela Manuela Penna, que era a diretor da In Press/Media Guide, agência que tinha a conta da CBJ. Eles gostaram de mim e me chamaram. Foi assim que eu entrei no esporte.
VQTTV: Quando e como surgiu a chance de fazer parte do Grande Premio? E como é fazer parte do maior site de esporte a motor da América Latina?
PHM: O Victor Martins me conheceu pelo Twitter ainda antes que eu começasse a trabalhar. Ficamos amigos um pouco depois, ele também sempre me dava alguns valiosos toques e dicas. Alguns meses depois que eu entrei na CBJ, ele disse que o site estava de olho em mim. No fim do ano, fez o convite para a equipe do Grande Prêmio. Fiquei honrado, porque era leitor do site, e animado, porque sabia que era um jornalismo hardcore. Era o que eu queria fazer. Não tinha como perder a oportunidade. 
PHM: Sair da CBJ/Media Guide foi algo muito dolorido de fazer, confesso. Minha gratidão com as pessoas que deram a minha primeira chance era enorme, e eu sentia que estava deixando na mão. Mas uma vez que comecei no Grande Prêmio, nunca olhei para trás.
PHM: É espetacular trabalhar no site, cara. Primeiro, porque é o melhor grupo de trabalho do mundo. Temos personalidades difíceis e diferentes, às vezes existe uma rusga, mas no geral é um ambiente maravilhoso. Eu adoro todos do site, de coração. Considero todos meus amigos para além do ambiente de trabalho. E na questão do trabalho, bom, profissionais fantásticos, que fazem um jornalismo de verdade. Jornalismo que muita gente por aí esqueceu como fazer. Sinto que cresci muito em todos os aspectos nesse meu tempo de site. 
PHM: E trazer a reputação do Grande Prêmio com você para qualquer tipo de cobertura é algo impressionante. Mostra que o trabalho vale a pena. Lembro da minha primeira cobertura com o site, alguns anos atrás, na Stock Car. O Allam Khodair perguntou se eu era novo no site e aí soltou que o Grande Prêmio era "o melhor site do Brasil e único que ele lia". Foi legal demais.
4 - De todas as "425648" categorias e campeonatos existentes, quais você mais acompanha, e por quais motivos?
PHM: Eu tento acompanhar tudo na medida do possível. Para saber e para ajudar - acho que não tenha uma categoria na qual eu já não tenha dado plantão desde que entrei no site. Então, sob esse aspecto, me sinto bem confortável para ajudar. Mas a que mais acompanha, não tem jeito, é a Fórmula E. Sou editor da categoria desde que nasceu, sou o responsável pelo noticiário geral e pelos fins de semana. Só não digo que trabalhei em todos os fins de semana da história da categoria porque na etapa do Chile em 2018 eu sofri um quase acidente. Dois dias antes precisei fazer uma cirurgia para tirar o apêndice. Mas que jornalista de esporte a motor pode dizer que trabalho em tamanha porcentagem histórica de uma categoria? 
VQTTV: O que você acha sobre o atual momento da Fórmula-E? Tu concorda que a categoria evolui fora das pistas, e involui em certos conceitos de regras dentro dela?
PHM: O momento da Fórmula E, sobretudo do ponto de vista de mercado e crescimento, é maravilhoso. Uma categoria que não para de somar patrocínios de empresas grandes, tem mais interesse de fábricas do que qualquer outro campeonato e corre no meio de algumas das maiores cidades do mundo - que fazem uma certa ginástica para permitir que haja uma pista no meio da cidade - não pode estar menos que excelente. Agora, tem a questão esportiva. Não acho que involuiu, não. Basicamente todas as críticas feitas hoje existem desde a primeira temporada. É que ali tinha muita novidade, boas brigas, eram imperfeições perdoáveis num campeonato recém-nascido. A questão é que o campeonato Fórmula E não evoluiu como o negócio Fórmula E nestes cinco anos. O campeonato parece pano de fundo para todo o resto, o que não pode acontecer. Se continuar assim, as montadoras vão debandar no minuto em que tiverem tecnologia suficiente para suas respectivas produções. A FE precisa não ser uma várzea esportiva.
VQTTV:  Sobre o automobilismo brasileiro, de que forma você o analisa: Estagnado, pouco evolui ou involui?
PHM: Não existe um trabalho de fato para a formação de pilotos no Brasil, né? Há 30, 20, 15 anos ainda tinha muita empresa disposta a patrocinar piloto e despejar dinheiro no automobilismo, que era mais popular e tinha retorno. Nesse sentido, está na mesma. Tem talento, tem um trabalho de formação nos karts que é muito importante, mas os caras acabam indo mais para outros tipos de corrida que não os monopostos. Com isso em mente, a F1 tende a se tornar cada vez mais escassa mesmo para o Brasil. Mas não no endurance, por exemplo. O momento é bom se você pensar quanta gente está se destacando lá fora, ganhando corridas e tudo mais. Não dá para dizer que é ótimo, que está tudo bem, porque o que tem visibilidade aqui é a F1, basicamente. E esse navio zarpou. 
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PHM: Se vocês estão lendo até o final, respeito vocês. Não, mas sério. Não sou muito de autoajuda, mas vamo lá. Talvez fique meio maktubiano. 
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Abraço (e sigam lá @PHMarum)


Foto: Arquivo pessoal/Twitter
por: Leonardo Bueno

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